sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Um novo ser, e velhos desejos





Ser mãe sempre fez parte dos meus sonhos de menina, e sempre que sonhava com esse momento, sempre me imaginava sendo mãe de dois.
Cresci em uma família numerosa, e acho divino a convivência tão especial que existe nela, onde todos se amam e se respeitam incondicionalmente. Minha família é meu orgulho! 
Quando resolvi dar minha contribuição a essa família, fui abençoada com a alegria maior de ter a minha Julia, linda, sorridente, calma e saudável, que hoje já está com 13 anos, minha grande amiga, companheira, (as vezes acaba por ser mais minha mãe, do que eu dela). Ainda mais depois que descobriu que o seu tão esperado "maninho" estava a caminho.
Esperando a Julia, durante todo o tempo, desejei ter um parto normal, fiz um pré-natal, tive uma gestação saudável, tudo correndo as mil maravilhas, mas ao fim das 40 semanas acabei por indicação médica, fazendo uma cesárea, com a certeza que naquele momento estava fazendo o que era melhor pra minha pequena. 


Mal sabia eu, que quando se é nova, sem informação, e sem apoio, acabamos por nos tornar vitimas fáceis do sistema, das mazelas da tecnologia e das agendas médicas onde prevalece a comodidade e a agilidade de uma "quase" linha de produção de partos em série.
Minha filha nasceu saudável, e isso era tudo o que me importava, independente das dificuldades da minha recuperação, independente do meu grande desejo de poder parir... tudo foi se tornando pequeno cada vez que olhava seu rostinho e sentia seu cheirinho... não há amor maior nesse mundo, disso tenho certeza!

Quando estava me preparando para passar pelo processo de gestação novamente, tanto tempo depois, decidi que também era hora de me informar do que fazer, para que nessa oportunidade(que será minha ultima, já que não pretendo ter mais filhos biológicos), eu pudesse ter, enfim, o meu parto normal. 
Agora contando com a ajuda da internet fui tentar descobrir num primeiro momento o real motivo que me levou a passar por uma cesárea.
Na época, segundo o médico eu tinha pouco líquido, o que poderia causar sofrimento ao meu bebê, por isso foi marcada uma cesárea de "emergência" para o dia seguinte. O mais curioso é que na consulta anterior de 7 dias (com ecografia), não tinha problema algum com meu líquido, placenta ou bebê. Eu não tive rompimento da bolsa, minha filha estava com desenvolvimento normal, e nenhum outro critério para que houvesse motivos reais para não esperar o parto normal acontecer.

Pesquisando um pouco mais cheguei ao maravilhoso trabalho de Melania Amorim, e consequentemente ao mundo da Humanização do Nascimento. E daí em diante se abriu pra mim um novo horizonte, onde eu encontrei mais do que eu sempre esperei para a hora do tão esperado encontro entre eu e meu filho. A possibilidade de um encontro com muito mais amor e respeito, onde eu pudesse ser a protagonista, onde meu filho, viesse da maneira menos traumática possível direto do meu ventre para meus braços. 
Pensei: é assim que eu quero, assim que deve ser... mas mal sabia eu, que estava pra viver o momento mais desafiador da minha vida, momento onde apenas querer não iria me levar a lugar algum.

Meu filho nem nasceu, mas renasce em mim uma força nova a cada dia, pois em meio aos meus medos e anseios, eu encontrei duas coisas que vem me fazendo forte: INFORMAÇÃO e APOIO.
E assim, acabei por me tornar militante da causa da Humanização, de uma forma apaixonante e motivada. E os muitos desafios que encontrei pelo caminho, e sei que ainda virão, pretendo compartilhar com vocês nesse blog que enfim tive coragem de criar.




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